28/09/16

Singula in quadrate

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Em 02 de dezembro de 1804, na Catedral de Notre-Dame, em Paris, Napoleão Bonaparte, na sua cerimônia de coroação como imperador, tomou das mãos do papa a coroa e calçou-a sobre a própria cabeça.

Ali Bonaparte demarcava à Igreja um recado: ninguém, nem mesmo os papas, que à época coroavam os reis, estava acima dele.

Embora alguns apressados achem que Napoleão foi quem inaugurou tal malcriação à Igreja Romana, na verdade, ele apenas repetiu uma ruptura que a Igreja já havia experimentado com o advento do Sacro Império Romano-Germânico. Mas isso é outra história.

Como as cortes de contas do Brasil são chamadas de tribunais, os seus membros começaram a achar que são juízes e se arvoraram em lhes fazer as vezes.

Como bonapartes das contas federais, os membros do Tribunal de Contas da União (TCU) começaram a enfiar coroas nas próprias cabeças, usurpando competências do Poder Judiciário.

Primeiro começaram a mandar parar, ou prosseguir obras, depois se avocaram na prerrogativa de autorizar, ou não, editais de processos licitatórios do Governo Federal, e finalmente começaram a emitir decretos de bloqueio de contas e bens de empresas ou empresários.

Se não for dado um basta nessa procissão, daqui a pouco o TCU vai competir com o juiz Moro, e mandar prender ou soltar pessoas ao seu desígnio.

Mas eis que o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, pela segunda vez, dá um chega para lá no Conselho de Contas – essa deveria ser a denominação correta, e não tribunal, pois que composto por conselheiros de contas – e determinou a liberação dos bens, bloqueados pelo TCU, do empresário Marcelo Odebrecht, preso pela Operação Lava-Jato, e de outros três ex-executivos da Odebrecht.

Marco Aurélio foi curto e certo na decisão, ao afirmar que “o TCU é um órgão administrativo de auxílio ao Legislativo e, portanto, não tem poderes para determinar o bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas. Essa prerrogativa é exclusiva do Poder Judiciário”.

E não se sabe de onde tira o TCU, a não ser do seu próprio arbítrio, tais prerrogativas. É que os senhores conselheiros ainda não atentaram para aquele brocardo latino, “Singula in quadrate”, que em um cáustico vernáculo, traduz-se em “cada macaco no seu galho”.

Índice de Bem-Estar Urbano de Belém é o 25º entre as 27 capitais do Brasil

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Ontem (27) recebi uma revista de propaganda eleitoral da candidatura à reeleição do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB). Ao folhear imaginei o quão bom seria se as fotografias impressas retratassem a realidade.

Isso não é uma crítica ao prefeito, mas aos marqueteiros (eu encrenco com marqueteiros), pois eles não trabalham com fatos: apenas manipulam versões e percepções, na tradução do marqueteiro do nazismo, Joseph Goebbels, a quem se atribui a frase de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

A contrário senso, mesmo que se repita a mentira mil vezes, ela continua sendo mentira, e eis que, ao chegar em casa e folhear a rede em busca de notícias, deparo-me com a manchete, no portal UOL:

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A matéria reporta um levantamento do Observatório das Metrópoles, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que apurou o Índice de Bem-Estar Urbano (Ibeu) dos 5.565 municípios do país, usando para tal cinco indicadores de qualidade:

1. Mobilidade urbana, como o tempo de deslocamento de casa para o trabalho;
2. Condições ambientais, como arborização, esgoto a céu aberto, lixo acumulado, etc.
3. Condições habitacionais, como número de pessoas por domicílio e de dormitórios;
4. Serviços coletivos urbanos, como atendimento adequado de água, esgoto, energia e coleta de lixo;
5. Infraestrutura urbana.

Os indicadores foram analisados objetivamente, com base nos equipamentos e serviços existentes, e tabelados com indicadores subjetivos, analisando como os moradores percebem a serventia desses equipamentos.

O município que tirou o primeiro lugar no ranking foi o minúsculo Buritizal, em São Paulo, com 4.055 habitantes e um Ibeu de 0,951 em uma escala que vai de 0 a 1. O pior Ibeu do Brasil é o município de Presidente Sarney, no Maranhão, com 0,444.

Mas vamos evidenciar as capitais, para demonstrar que Belém não é aquilo que eu vi na revista de propaganda eleitoral referida: a cidade de Belém, entre as 27 capitais, amarga a 25ª posição, na frente apenas de Porto Velho e Macapá.

Abaixo o ranking das capitais:

1.Vitória (ES) - 0,9000
2.Goiânia (GO) - 0,8742
3.Curitiba (PR) - 0,8740
4.Belo Horizonte (MG) - 0,8619
5.Porto Alegre (RS) - 0,8499
6.Campo Grande (MS) - 0,8275
7.Aracaju (SE) - 0,8214
8.Rio de Janeiro (RJ) - 0,8194
9.Florianópolis (SC) - 0,8161
10. Brasília (DF) - 0,8131
11. Palmas (TO) - 0,8129
12. São Paulo (SP) - 0,8119
13. João Pessoa (PB) - 0,7992
14. Fortaleza (CE) - 0,7819
15. Recife (PE) - 0,7758
16. Salvador (BA) - 0,7719
17. Cuiabá (MT) - 0,7704
18. Natal (RN) - 0,7383
19. Boa Vista (RR) - 0,7249
20. Teresina (PI) - 0,7218
21. Maceió (AL) - 0,7036
22. São Luís (MA) - 0,7003
23. Rio Branco (AC) - 0,6972
24. Manaus (AM) - 0,6903
25. Belém (PA) - 0,6593
26.
Porto Velho (RO) - 0,6542
27. Macapá (AP) - 0,6413

Ou seja, aí está o método dos marqueteiros de ponta cabeça (os fatos falam mais alto do que a percepção que se tenta inculcar) e a máxima de Joseph Goebbels dessalgada (a repetição da mentira não vence a constatação da verdade).

27/09/16

Com qual partido você se identifica?

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O portal Globo enviou para as 35 legendas partidárias um questionário com 15 perguntas.

A intenção das perguntas foi identificar a posição de cada legenda sobre diversos temas do cotidiano da democracia nacional.

Com base nas respostas dos partidos, o Globo elaborou um teste para que o público, averigue com quais partidos mais se identifica.

Segundo o Globo, nove partidos não enviaram respostas ao questionário, o que compromete a generalidade do teste. Foram eles o PMDB, PSDB, REDE, PTB, PCdoB, PMN, PRTB, PR e Solidariedade.

Clique aqui para fazer o teste.

Espiritualmente falando

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